Uma breve reflexão sobre o paradoxo que é o TEMPO...
- 5 de nov. de 2018
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Tenho acompanhado, através do meu marido que é da área de T.I. e um apaixonado por inovação, artigos e notícias sobre inovação de processos, metodologia ágil, design thinking, robô humanoide, internet das coisas e até mesmo meios de transporte ultra rápidos via túneis subterrâneos...enfim, são tantas coisas acontecendo, tantos temas futuristas, tantos insights incitando sobre a necessidade de estar conectado, ligado e adiantado ao futuro, à tecnologia...à inovação, que eu fico até cansada só de pensar em tantas coisas, que mudam numa velocidade assustadora, ao mesmo tempo! Por outro lado, existe um movimento de resgate às nossas origens, ao nosso eu mais puro, intimo e de certo modo até selvagem. E esse movimento vem sendo alavancado por algo que é das coisas mais básicas e primitivas: o alimento, a culinária, o ato de se alimentar.
O Homem evoluiu a ponto de criar e recriar tecnologia para acelerar e facilitar a vida e se tornou um ser paranoico, dependente da tecnologia para suas necessidades mais corriqueiras a ponto de se tornar refém das suas próprias criações e, principalmente, refém do tempo que passou a ser um inimigo pois, nos tornamos escravos da necessidade de estarmos atualizados sobre tudo em todo o tempo e isso nos tornou ainda mais estressados, doentes e solitários.
Trabalhamos o tempo todo, dia e noite, conectados, sem hora para nos alimentar com calma, com pausa, com descanso...comemos qualquer coisa, coisa que nem sabemos exatamente o que é, porque há tantos ingredientes químicos e artificiais nos alimentos industrializados que uma batata de fast food, por exemplo, tem 17 ingredientes, mas comemos, desde que seja rápido e prático. Qual o resultado disso? Obesidade, doenças cardíacas, depressão...mas estamos conectados, ligados e sabendo tudo que rola no Vale do Silício...
No entanto, no meio desse caleidoscópio de informação, existe uma massa de pessoas em busca de um estilo mais leve, menos acelerado, em busca de uma alimentação que promova saúde e uma qualidade de vida mais focada no bem-estar do que no futurismo. Pessoas trabalhando em prol de descobrir técnicas para extrair o melhor dos alimentos, respeitando o tempo da terra, o sabor e os nutrientes dos alimentos em sua integralidade.
Existe certo? Existe errado? Existe meio termo?
Vou deixar a conclusão em aberto. Só posso dizer que faço parte do time da qualidade de vida, da vida no campo, da busca por uma alimentação que me faça buscar cada vez menos a farmácia e mais a horta, que me traga longevidade e tranquilidade.
Se eu não gostaria de experimentar o transporte futurista que anda em túneis subterrâneos? Talvez...mas, ainda prefiro o sossego e o silêncio da vida do interior, a horta, a feirinha orgânica e até o trânsito de cavalos em pleno horário do almoço, quando ainda estou, mesmo que mais devagar, correndo contra o tempo.
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